SESSÃO: Papo de Mulherzinha - Por Jessica Roberti

» Postado por: - Categorias: | 22 de nov. de 2012
A Terra dos Frutos Gigantes.
Havia uma terra muito distante dessa em que vivemos onde todos os frutos eram gigantes. A atração turística daquele lugar eram os frutos, e não tinha como ser diferente. Pessoas do mundo todo viajavam horas para chegar à terra fértil de frutos gigantes e apreciar com os olhos e com o paladar aquele milagre natural tão raro. Porém, havia um porém: na entrada da Terra dos Frutos Gigantes havia uma ponte cujas extremidades ligavam a área comum, onde viviam os habitantes e hospedavam-se os turistas, a uma floresta por poucos conhecida. Muitos contos eram sussurrados a respeito dela, mas o mais atraente de todos era o que dizia que além da ponte, naquela floresta desconhecida (havia um e outro que a chamavam por “encantada”), havia frutos milagrosos, e que quem comesse destes frutos viveria para sempre. O mais preocupante de todos era o que dizia que todos os que atravessaram aquela ponte até então, nunca mais voltaram. Será que a eternidade os prendia lá? A eternidade era lá? Mas, afinal, quem foi o corajoso que atravessou a ponte e contou essa história? Eu precisava conhecer aquilo. Eu mesma conhecer, entender, tocar, sentir, viver a floresta, comer dos frutos da eternidade.

Estávamos eu e toda a minha família (toda mesmo. Tios, avós, primos, namoradas de primos, tios de primos, primos de primos). Eu me lembro de ter pisado perto da ponte e esboçado um sorriso um tanto quanto travesso, de quem iria atravessar em secreto; mas havia primos mais espertos que eu, mais rápidos que eu, mais chatos que eu e, portanto, mais dedos-duros que eu, o que me rendeu um “safanão” na orelha e uma tarde toda caminhando de mãos dadas com a vovó (para assegurar que eu não tentaria novamente). A caminhada provocou todas as reflexões possíveis sobre vida, família, futuro e sonhos. Pensei em todas as coisas importantes: pode ser que eu atravesse, sobreviva, viva para sempre, dê destes frutos para outras pessoas e todos vivam para sempre também. Na verdade eu só pensei nessa parte. Resolvi agir. Não foi difícil distrair a vovó com uma uva que ela precisava segurar com as duas mãos. Foi quase imediato o ato de a vovó soltar a minha mão e eu correr desesperadamente rumo à ponte. Fugindo dos gritos dos meus pais carregados de ameaças de castigos e de preocupação, eu atravessei.

Hoje eu penso nos riscos que corri. Eu poderia morrer, a ponte poderia se quebrar ao meio, eu poderia não sobreviver na floresta e poderia nunca mais voltar. Mas naquele momento, exatamente no momento em que meu coração batia mais forte pelo desejo incontrolável de descobrir o desconhecido, eu não pensei nessa parte. Não pensei nos riscos. Eu só queria viver aquilo. Hoje eu, assim como alguns corajosos, conto esta história a outros, para que eles contem a outros, para que todos que a ouvirem viagem até a Terra dos Frutos Gigantes e atravessem a ponte rumo à Floresta Encantada, pois só é possível descobrir a eternidade quando se atravessa.

Por Jessica Roberti.