Havia uma terra muito distante dessa em que vivemos onde
todos os frutos eram gigantes. A atração turística daquele lugar eram os frutos,
e não tinha como ser diferente. Pessoas do mundo todo viajavam horas para
chegar à terra fértil de frutos gigantes e apreciar com os olhos e com o
paladar aquele milagre natural tão raro. Porém, havia um porém: na entrada da
Terra dos Frutos Gigantes havia uma ponte cujas extremidades ligavam a área
comum, onde viviam os habitantes e hospedavam-se os turistas, a uma floresta
por poucos conhecida. Muitos contos eram sussurrados a respeito dela, mas o
mais atraente de todos era o que dizia que além da ponte, naquela floresta
desconhecida (havia um e outro que a chamavam por “encantada”), havia frutos
milagrosos, e que quem comesse destes frutos viveria para sempre. O mais
preocupante de todos era o que dizia que todos os que atravessaram aquela ponte
até então, nunca mais voltaram. Será que a eternidade os prendia lá? A
eternidade era lá? Mas, afinal, quem foi o corajoso que atravessou a ponte e
contou essa história? Eu precisava conhecer aquilo. Eu mesma conhecer,
entender, tocar, sentir, viver a floresta, comer dos frutos da eternidade.
Estávamos eu e toda a minha família (toda mesmo. Tios,
avós, primos, namoradas de primos, tios de primos, primos de primos). Eu me
lembro de ter pisado perto da ponte e esboçado um sorriso um tanto quanto
travesso, de quem iria atravessar em secreto; mas havia primos mais espertos
que eu, mais rápidos que eu, mais chatos que eu e, portanto, mais dedos-duros
que eu, o que me rendeu um “safanão” na orelha e uma tarde toda caminhando de
mãos dadas com a vovó (para assegurar que eu não tentaria novamente). A
caminhada provocou todas as reflexões possíveis sobre vida, família, futuro e
sonhos. Pensei em todas as coisas importantes: pode ser que eu atravesse, sobreviva,
viva para sempre, dê destes frutos para outras pessoas e todos vivam para
sempre também. Na verdade eu só pensei nessa parte. Resolvi agir. Não foi
difícil distrair a vovó com uma uva que ela precisava segurar com as duas mãos.
Foi quase imediato o ato de a vovó soltar a minha mão e eu correr
desesperadamente rumo à ponte. Fugindo dos gritos dos meus pais carregados de
ameaças de castigos e de preocupação, eu atravessei.
Hoje eu penso nos riscos que corri. Eu poderia morrer, a
ponte poderia se quebrar ao meio, eu poderia não sobreviver na floresta e
poderia nunca mais voltar. Mas naquele momento, exatamente no momento em que
meu coração batia mais forte pelo desejo incontrolável de descobrir o
desconhecido, eu não pensei nessa parte. Não pensei nos riscos. Eu só queria
viver aquilo. Hoje eu, assim como alguns corajosos, conto esta história a
outros, para que eles contem a outros, para que todos que a ouvirem viagem até
a Terra dos Frutos Gigantes e atravessem a ponte rumo à Floresta Encantada,
pois só é possível descobrir a eternidade quando se atravessa.
Por Jessica Roberti.


















