Eram dois pássaros, cada um em sua gaiola, no mesmo
quintal, sob os cuidados do mesmo dono. Certo dia o dono dos pássaros lhes fez
uma promessa: em um mês daria a eles o presente que quisessem. Qualquer
presente.
O primeiro pássaro arquitetou a gaiola perfeita: ouro,
diamantes e um espaço interno cinco vezes maior do que aquela em que habitava.
Queria sentir a liberdade de se locomover, voar, saltar e dar piruetas dentro
de sua própria gaiola. Não havia limites: ele queria sentir a liberdade. O
segundo pássaro apenas fitava o céu. Não queria nada.
Passados os dias, no final daquele mês, o dono dos
pássaros apareceu no quintal para dar-lhes os respectivos presentes. Tinha em
mãos uma gaiola de ouro, de um tamanho imensurável para qualquer gaiola já
vista neste mundo, coberta por diamantes em suas janelas e portas laterais de
um brilho inexplicável. Mas apenas a gaiola de ouro.
- Aqui seu presente, meu querido pássaro.
A alegria do pássaro não era passível de explicação.
Adentrou em sua gloriosa gaiola, e sentiu-se livre.
- E você? – perguntou ao outro pássaro - Como posso te
presentear? Como posso te fazer feliz?
Ele insistia dizendo que não queria nada, mas o dono, que
lhe conhecia muito bem, abriu a porta de sua gaiola. O pássaro voou numa
extensão de céu imensurável, de uma cor inexplicável, e com um destemor e
petulância invejáveis (e desejáveis). Não havia limites: ele queria sentir a
liberdade. Virou-se e, pela última vez, dirigiu o olhar ao dono:
- Muito obrigada.
O pássaro partiu testando o limite de sua capacidade de
ser veloz, sem rumo algum para seguir, e sentiu-se livre.
Por Jessica Roberti.


















