Eu acredito que cada pessoa tem algo a nos acrescentar. Sem
exceções. Seja para o bem, seja para o mal, todo indivíduo é capaz de ensinar
algo.
Já percebeu como tudo o que é diferente nos impressiona? Um
homem que não torça pra nenhum time de futebol, uma mulher que não goste de
chocolate, uma criança que não assista a desenhos animados. Tudo o que foge do
que nós chamamos de “normal”, nos choca. Isso acontece porque já nos adaptamos
a viver dentro de padrões estabelecidos por uma rede manipuladora: o
“conhecimento” adquirido da informação que não vai além do Wikipédia, da
revista Veja, do Jornal Nacional, da Avenida Brasil, do BBB. Aquele
conhecimento que a gente engole quentinho, prontinho, que desce pela garganta
que nem sopa, sem causar nenhum incômodo. Pronto. Quando todos estão dentro da
bolha comendo sopa, qualquer um que apareça saboreando uma picanha é motivo de
escândalo.
Nessa linha de pensamento, a sopa de hoje é: mães solteiras
jovens se arrependem de ter engravidado antes da hora, e, se pudessem voltar
atrás, teriam tomado o devido cuidado, pois acreditam que os filhos concebidos
em um tempo não planejado – ou desejado – causam notórios transtorno e mudança
de planos.
(Se você discordou da sopa, obrigada.).
Eu convivo com um caso semelhante. Confesso que nunca
conversei a respeito da situação com a mãe, ou fiz perguntas do tipo: “você tem
noção do que fez?”, “você sabe o quanto isso pode te prejudicar?”. Eu não me
permito invadir a vida de ninguém. Eu caminho até onde a pessoa me deixe ir, e
falo até onde ela se permita me ouvir. Mas um dia a pergunta escapou. Não
daquele jeito impulsivo; escapou estrategicamente e consciente.
- Você se arrepende?
Essa mãe, a mãe da Luiza, me entregou a resposta da
salvação. Ela me impressionou com um pedaço de picanha enquanto eu saboreava
minha sopa. Há um verso que diz que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera,
tudo suporta. Até então, eu não havia conhecido de perto alguém que tivesse
vivido esse amor na sua essência, na verdade dele.
- Se eu pudesse voltar atrás, eu faria tudo isso de novo.
Eu não sei se todas as pessoas encontram essa forma de amor
pelo menos uma vez na vida; seja em suas rotinas, seus relacionamentos, ou em
seus vários outros amores. Mas uma coisa eu tenho por certo: a Luiza me fez
acreditar que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A Luiza
me ensinou, de uma forma muito especial, uma forma de amor.
*Para Luiza e Letícia.
*Para Luiza e Letícia.
Por Jessica Roberti.


















