SESSÃO: Papo de Mulherzinha - Por Jessica Roberti

» Postado por: - Categorias: | 11 de out. de 2012
A Forma de Amor da Luiza.
Eu acredito que cada pessoa tem algo a nos acrescentar. Sem exceções. Seja para o bem, seja para o mal, todo indivíduo é capaz de ensinar algo.

Já percebeu como tudo o que é diferente nos impressiona? Um homem que não torça pra nenhum time de futebol, uma mulher que não goste de chocolate, uma criança que não assista a desenhos animados. Tudo o que foge do que nós chamamos de “normal”, nos choca. Isso acontece porque já nos adaptamos a viver dentro de padrões estabelecidos por uma rede manipuladora: o “conhecimento” adquirido da informação que não vai além do Wikipédia, da revista Veja, do Jornal Nacional, da Avenida Brasil, do BBB. Aquele conhecimento que a gente engole quentinho, prontinho, que desce pela garganta que nem sopa, sem causar nenhum incômodo. Pronto. Quando todos estão dentro da bolha comendo sopa, qualquer um que apareça saboreando uma picanha é motivo de escândalo.

Nessa linha de pensamento, a sopa de hoje é: mães solteiras jovens se arrependem de ter engravidado antes da hora, e, se pudessem voltar atrás, teriam tomado o devido cuidado, pois acreditam que os filhos concebidos em um tempo não planejado – ou desejado – causam notórios transtorno e mudança de planos.

(Se você discordou da sopa, obrigada.).

Eu convivo com um caso semelhante. Confesso que nunca conversei a respeito da situação com a mãe, ou fiz perguntas do tipo: “você tem noção do que fez?”, “você sabe o quanto isso pode te prejudicar?”. Eu não me permito invadir a vida de ninguém. Eu caminho até onde a pessoa me deixe ir, e falo até onde ela se permita me ouvir. Mas um dia a pergunta escapou. Não daquele jeito impulsivo; escapou estrategicamente e consciente.

- Você se arrepende?

Essa mãe, a mãe da Luiza, me entregou a resposta da salvação. Ela me impressionou com um pedaço de picanha enquanto eu saboreava minha sopa. Há um verso que diz que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Até então, eu não havia conhecido de perto alguém que tivesse vivido esse amor na sua essência, na verdade dele.

- Se eu pudesse voltar atrás, eu faria tudo isso de novo.

Eu não sei se todas as pessoas encontram essa forma de amor pelo menos uma vez na vida; seja em suas rotinas, seus relacionamentos, ou em seus vários outros amores. Mas uma coisa eu tenho por certo: a Luiza me fez acreditar que o amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. A Luiza me ensinou, de uma forma muito especial, uma forma de amor.

*Para Luiza e Letícia. 


Por Jessica Roberti.