SESSÃO: Papo de Mulherzinha - Por Jessica Roberti

» Postado por: - Categorias: | 4 de out. de 2012
O Mistério da Ideia Brilhante.
Era uma vez um mundo onde só havia três tipos de pessoa: as que tinham cabeças de concreto, as que tinham cabeças fechadas, e as de cabeças vazias. Como suas ideias e modos de vida eram diferentes, separaram-se em tribos: os Concretos, os Fechados e os Vazios.
As tribos habitavam todo o território do planeta, exceto o centro: lá vivia um indivíduo, apenas ele, exilado dos demais por ter a única cabeça diferente.
Certa vez, um sábio chamado Verdade passeava pelo mundo. Verdade tinha uma cabeça diferente: era transparente e dentro dela havia algo que reluzia como ouro. Era sua ideia. A proposta de Verdade era vender esta ideia a todas as tribos, então ele passou anos convivendo entre elas e tentando convencê-las que aquela seria a melhor compra de suas vidas. Sua ideia poderia salvar o mundo e todas as vidas, de todas as tribos.
Os Concretos chegaram a admirar a ideia e despertou neles uma curiosidade quase que capaz de fazê-los compra-la. Quase. Para ter a ideia de Verdade, deveriam quebrar suas cabeças de concreto, o que lhes custaria uma dor intensa e, até então, nunca experimentada. Optaram por deixar a ideia do sábio de lado.
Os Fechados nem sequer cogitaram a possibilidade. Não abririam suas cabeças para uma ideia estranha, de um cara estranho. E, além disso, como poderia uma ideia só salvar todas as tribos, se cada tribo era diferente e tinha sua própria cabeça? Rejeitaram rispidamente a ideia do sábio.
Os Vazios... bom, estes estavam tão acostumados a não ter nada em suas cabeças, que não lhes atraía a proposta de ocupa-las. Na verdade, em suas cabeças vazias não cabia nem um pensamento que pudesse despertar a motivação. Contentavam-se em não pensar nada.
Sendo assim, reuniram-se todas as tribos para despedir-se do sábio Verdade. Triste, frustrado e pronto para partir com sua ideia, ainda intacta em sua cabeça transparente, surge no meio da multidão um grito que ecoou como um trovão.
- Volte! Eu quero comprar sua ideia.
Apareceu, magro e mal vestido, um garoto. A multidão olhou com desprezo, as mães cobriam os olhos de seus filhos. Era ele, o exilado. Sua cabeça era demasiadamente feia e distinta das outras: era completamente aberta. O motivo do exílio era evitar qualquer escândalo que pudesse ser causado por aquele garoto, aquela aberração do mundo, o menino da cabeça aberta.
- Claro – respondeu o sábio. Siga-me.
O garoto seguiu imediatamente o sábio e ambos partiram em direção a uma nuvem de areia, depois desapareceram.
Verdade viveu anos entre as tribos tentando vender sua ideia. Os Concretos permaneceram com suas cabeças de concreto, instigados com o brilho da ideia, mas sem coragem de quebrar suas cabeças. Os Fechados retornaram para suas casas pensando terem feito a escolha mais segura. Os Vazios... bom, estes não pensaram nada. E apenas o menino da cabeça aberta conheceu a salvação que havia na ideia de Verdade.