Eleições.
Não é novidade para
ninguém que, no Brasil, de dois em dois anos é tempo de votar, eleger
prefeitos, vereadores, deputados, senadores e presidente da república. Pela
primeira vez na minha vida eu votei. Tenho 17 anos, portanto não tenho a
obrigação legal de votar, mas saí da minha casa e compareci a minha zona
eleitoral para votar. Não que o meu voto sozinho fosse fazer toda a diferença,
mas eu pensei no coletivo, pensei na minha cidade. O páreo aqui é duro, mas não
entrarei nesse mérito específico.
O fato é que o dia
foi triste: santinhos espalhados pelas ruas, candidatos e mais candidatos com
os rostos esfregados no asfalto, no sentido figurado, enquanto deveriam estar
literalmente esfolados. Pessoas indo votar por obrigação, sem a consciência de
que aquele ato de cinco minutos se refletiria nos próximos quatros anos. É esse
seu descaso na hora de apertar os números e confirmar que condena a sua cidade
(ou o seu país) às mãos despreparadas, aos olhos das velhas raposas.
Eleitor despreparado,
eleitor desinformado, eleitor mudo, cego e surdo é um prato cheio para os
oportunistas. Revoltar-se e votar nulo é muito fácil, você se abstêm de
qualquer culpa, qualquer responsabilidade no momento do voto, mas na hora de
reclamar da prefeitura e do prefeito, enxe a boca pra falar mal, lançar mil
pedras, se esquecendo que naquele dia de escolher o candidato, você
simplesmente abriu mão do seu direito. E é desse tipo de eleitor que o ladrão
precisa, desse que acha que política não se discute. É tão mais fácil odiar
política e deixar a sua responsabilidade nas costas dos demais, não é?
Outra coisa que me
chocou... Vi algumas pessoas postando o seguinte no facebook: "Votei.
Dever de cidadão cumprido". É lamentável ver que pessoas instruídas (não
era qualquer mendigo, qualquer "povão", não) falando esse tipo de
atrocidade. O seu voto é apenas o começo do seu papel de cidadão e ele não vale
de nada se você mesmo não fiscalizar os seus candidatos. Na verdade, o seu
papel cidadão começa antes, no momento em que você decide em quem votar. Faça
sua pesquisa, descubra, converse, obtenha outras opiniões, mas não pense dentro
da caixinha. Isso é um perigo. Se mesmo assim você se decepcionar com o seu
candidato, faça algo. Revoltar-se e calar-se é o mesmo que nada. Corra atrás
dos seus direitos, proteste, mas não se cale.
Reconheço que muito
já mudou, mas não é o suficiente. Gente que se encanta por um bando de promessa
fácil, isso tem de monte. Faça você a diferença e essa diferença começa por
dentro, mudando o seu pensamento, o seu conceito de cidadania. Se importe mais.
De gente "nem aí" as cidades estão lotadas, seja menos um.
Por Bruna Tamanini.
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