SESSÃO: Conversa de Boteco - Por Bruna Tamanini

» Postado por: - Categorias: | 9 de out. de 2012
Eleições.
Eleições.

Não é novidade para ninguém que, no Brasil, de dois em dois anos é tempo de votar, eleger prefeitos, vereadores, deputados, senadores e presidente da república. Pela primeira vez na minha vida eu votei. Tenho 17 anos, portanto não tenho a obrigação legal de votar, mas saí da minha casa e compareci a minha zona eleitoral para votar. Não que o meu voto sozinho fosse fazer toda a diferença, mas eu pensei no coletivo, pensei na minha cidade. O páreo aqui é duro, mas não entrarei nesse mérito específico.
O fato é que o dia foi triste: santinhos espalhados pelas ruas, candidatos e mais candidatos com os rostos esfregados no asfalto, no sentido figurado, enquanto deveriam estar literalmente esfolados. Pessoas indo votar por obrigação, sem a consciência de que aquele ato de cinco minutos se refletiria nos próximos quatros anos. É esse seu descaso na hora de apertar os números e confirmar que condena a sua cidade (ou o seu país) às mãos despreparadas, aos olhos das velhas raposas.
Eleitor despreparado, eleitor desinformado, eleitor mudo, cego e surdo é um prato cheio para os oportunistas. Revoltar-se e votar nulo é muito fácil, você se abstêm de qualquer culpa, qualquer responsabilidade no momento do voto, mas na hora de reclamar da prefeitura e do prefeito, enxe a boca pra falar mal, lançar mil pedras, se esquecendo que naquele dia de escolher o candidato, você simplesmente abriu mão do seu direito. E é desse tipo de eleitor que o ladrão precisa, desse que acha que política não se discute. É tão mais fácil odiar política e deixar a sua responsabilidade nas costas dos demais, não é?
Outra coisa que me chocou... Vi algumas pessoas postando o seguinte no facebook: "Votei. Dever de cidadão cumprido". É lamentável ver que pessoas instruídas (não era qualquer mendigo, qualquer "povão", não) falando esse tipo de atrocidade. O seu voto é apenas o começo do seu papel de cidadão e ele não vale de nada se você mesmo não fiscalizar os seus candidatos. Na verdade, o seu papel cidadão começa antes, no momento em que você decide em quem votar. Faça sua pesquisa, descubra, converse, obtenha outras opiniões, mas não pense dentro da caixinha. Isso é um perigo. Se mesmo assim você se decepcionar com o seu candidato, faça algo. Revoltar-se e calar-se é o mesmo que nada. Corra atrás dos seus direitos, proteste, mas não se cale.
Reconheço que muito já mudou, mas não é o suficiente. Gente que se encanta por um bando de promessa fácil, isso tem de monte. Faça você a diferença e essa diferença começa por dentro, mudando o seu pensamento, o seu conceito de cidadania. Se importe mais. De gente "nem aí" as cidades estão lotadas, seja menos um.

Por Bruna Tamanini.