O
problema é que as pessoas não estão preparadas para ouvir que uma mulher “deu”
para três em uma semana, ao mesmo tempo que é compreensível que um homem “coma”
3 em um dia. O problema é que se uma mulher bebe e fica com alguém
descompromissadamente, ela é vagabunda, vadia e não merece respeito. Mas se um
homem faz o mesmo ele é garanhão, pegador, pica das galáxias. Porque quando o
papai descobre que a mamãe vai ter um menino, o garotão será “o comedor”. Agora
se a mamãe está esperando uma menininha, ela será intocável e como diz o papai:
“vai virar freira”. Tudo isso é preconceito, é machismo, é ridículo. Não que
seja louvável o fato de um homem sair e pegar quantas quiser. Não é. E não é
isso que a mulher deseja, ser vangloriada, aplaudida ou reconhecida como
pegadora. Na verdade, a mulher só quer o seu espaço, o seu direito de agir como
qualquer outro cidadão que tem desejos e não passa vontade.
Alguns
homens diriam que a mulher quer igualdade logo no pior defeito do homem, mas
essa não é a questão. A questão é que o homem não tem a integridade ferida
quando faz o que quer, mas a mulher sim. Todos os dias somos bombardeadas de
críticas. Somos pressionadas a sermos as mães dos comerciais de margarina e
sabão em pó, porque “lugar de mulher é no tanque”, ou porque “mulher tem mais é
que pilotar fogão”. Depois de tantas lutas e tantas vitórias, depois de tanto
provar para nós mesmas e para os homens que podemos, sim, sermos niveladas por
cima, ainda existem cabeças menores que um grão de ervilha. Cabeças ignorantes
que se recusam a ver a evolução feminina.
Eu
juro que não entendo por que o homem se acha tão superior. Digo,
intelectualmente, pois fisicamente, de fato, a tendência é ser mais forte e
mais resistente. Normal, não discuto isso. Agora, o fato de você ter um pênis
te faz mais inteligente, mais esperto e capaz? Bom, de onde eu venho o cérebro
das pessoas costuma ficar dentro da cabeça – de cima e essa todo mundo tem.
E,
me desculpem, mas quem pensa assim merece morrer sozinho, porque sem uma
mulher, um homem passa a ser um moleque. A classe feminina lutou muito para
chegar aonde está, mas esse não é o ponto de chegada, ainda existem muitas
cabeças que precisam mudar. Inclusive, você, homem que está lendo isso, reflita
suas atitudes no dia-a-dia. Você já parou para agradecer a mulher da sua vida
hoje? Não. Não estou falando da sua namorada. Estou falando da sua mãe. Mãe que
trabalha fora – ou não, mas trabalha em casa de qualquer modo –, lava as tuas
meias, as tuas cuecas, limpa o seu quarto, faz aquela comida que você tanto
gosta e no fim do dia não ouve nem um “muito obrigado”.
Independente
de ser mulher ou de ser homem, somos seres humanos, merecemos respeito,
merecemos igualdade. Ninguém aqui pede por piedade. A gente quer mais é ser
tratada não como objeto sexual, corpo que trabalha ou que esquenta a barriga no
fogão. A gente quer mais do que namorar, noivar, casar e engravidar. Somos
donas dos nossos destinos e você, homem, que se julga tão melhor, experimente
viver sem uma mulher. Quase impossível, eu sei.
Por Bruna Tamanini.
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