Sua música é lixo.
Sua música é um lixo. Será mesmo? Então vamos conversar: a minha música é um lixo pra você? Não, sim? Ouça o que quiser, eu não me importo. Só me faça um favor? Ouça a música você, eu não sou obrigado a ouvir esse lixo.
O Brasil é uma terra de canções. Digo que o Brasil não é país de um único ritmo, nós temos tudo. Temos desde o estilo americano até o estilo africano. Temos desde músicas quem falam de amor até as músicas que falam de traições. Temos as músicas que falam de Deus e a música que fala e exalta os demônios. E então, o que é lixo ou música?
A música chegou ao Brasil vinda dos nossos irmãos e colonizadores portugueses e também dos escravos africanos que aqui chegaram. Posso me equivocar, mas acredito que a música começou a ganhar seus ápices e derradeiros a partir do século XX. Na primeira metade deste século, você tem o surgimento de cantores que acabaram se consagrando. Caso de Carmen Miranda e Dercy Gonçalves, nos anos 30. Nos anos 50 a Era do Rádio trouxe consigo a tão querida e agradável Bossa Nova. Uma mistura de samba que logo incorporou o Jazz e o impressionismo cativou o povo brasileiro e manteve o nome de seus cantores no mais alto degrau da memória dos brasileiros, caso de Tom Jobim, Vinícius de Morais, Toquinho, Nara Leão, entre outros...
Na segunda metade do século XX, chegou com força na música brasileira as classes mais populares, trazendo então o rock e o funk. Mas lá estava ele chegando para dar uma retomada naquele ritmo cativante Bossa Nova: A MPB, ou simplesmente a Música Popular Brasileira. Estilo musical que ficou conhecido nas vozes de cantores como Chico Buarque. Veio com ele Caetano Veloso, Gilberto Gil, Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Tim Maia, Wanderléa, que sofrem e criticaram, através da música, a Ditadura Militar no Brasil.
Chega então em 1970 uma inovação, que traria de volta as raízes do samba, com uma mistura de música caipira-romântica e popular. Se juntaram então a Caetano Veloso, Gilberto GIl e Chico Buarque, cantoras como Gal Costa, Elis Regina, Rita Lee e Maria Bethânia.
O samba veio fazer sucesso nas vozes de Martinho da Vila, Alcione... Nos anos 80 o rock vira moda, trazendo consigo Paralamas do Sucesso, Titãs, Ultraje a Rigor e Legião Urbana, na voz de Renato Russo. Depois a música se popularizou. Veio o sertanejo com suas modas caipiras, o funk, o axé da Bahia e o Hip Hop nas favelas brasileiras. Tudo se popularizou.
Fiz essa rápida trajetória na música brasileira para deixar uma pergunta no ar: "A música brasileira evoluiu ou decaiu?"
Tudo bem, até o momento em que parei as coisas iam bem. Agora te mostro alguns estilos de música que surgiram com o tempo e ganharam força na atualidade: Sertanejo Universitário, Funk Carioca e o Arrocha.
Sertanejo Universitário ganhou força na voz de duplas que colocam um & bonito no nome e cantores solo que usam all star e cabelos arrepiados. O Funk Carioca é qualquer lixo que coloque a mulher como uma cadela, biscate, vadia ou uma prostituta com carteira assinada. O Arrocha... Bom, é um mix de alguma coisa com sertanejo universitário que utiliza nomes de carros para dar alguns sentido à uma dança escrota. A sua música é um lixo, esse é o tema, eu reafirmei que você pode ouvir sua música em paz, sem me perturbar e sem ser perturbado, mas longe de mim. Como eu disse, a sua música pode ser um lixo pra mim, assim como a minha música pode ser um lixo para você. Façamos assim: Cante aí, eu canto aqui. Critique aí, eu critico aqui. Brasil! Sua democracia é linda!
Eu ouço Reggae, simplesmente o dia inteiro. Adoro MPB e sou encantado pelo Rock brasileiro, passando ali por Legião Urbana, Ira, Paralamas, Jota Quest. Gosto também da parte mais romântica que chega ali por Lenine. Nando Reis, Ana Cañas, Maria Gadú, Seu Jorge, Ana Carolina, Dona Joana... Também fazem parte do meu repertório de músicas. Quantas dessas te agradaram?
A questão em jogo não é se o meu ritmo é melhor que o seu. Não é se ouvir MPB faz de mim um intelectual nerd escroto ou se ouvir Funk faz de você uma biscate suja. Não é isso que coloco em jogo e muito menos são essas minhas opiniões. Mas eu me sinto no direito de denunciar seus estilos musicais, assim como você se sente no direito de virar e fala: "Regueiro maconheiros do cara%*#".
O Sertanejo Universitário é aturável. Acho até engraçado e canto às vezes algumas músicas que não saem da cabeça como Aí se eu te pego, humilde residência e essas coisas todas. Querendo ou não, com música ruim ou não, esses caras ganham mais dinheiro que eu, que penso ficar rico com um blog.
O Arrocha é indiferente. Não vejo sentido na minha vida em dar importância para um gênero tão desprezível e puro lixo pop.
O Funk é indecente. Não me peça para aturar, não em peça para te entender. Quero que você me entenda. Me ouça, por um segundo:
Não vamos falar sobre a batida da música, é interessante. Mas me diga qual é a graça, ou qual é a finalidade, de cantar músicas que falam sobre matar policiais que sobem na favela ou meninas que ficam com o rabo pra cima, dando para milhões de garotos enquanto nós passamos o rodo? Eu não vejo mais 'Funk Leve'. É uma surra de bunda dali, outra surra de piroca daqui, outro quero te dar porque você é patrão dali, outro pego todas cheirando minha cocaína daqui. Isso não é música, isso é denegrir a imagem das mulheres brasileiras. Uma pessoa que vive longe do convívio das favelas vê os funkeiros como pessoas frustradas e sem ideias na cabeça. Eu já me envolvi pesado numa discussão sobre o Funk, me dei mal, muito mal, então prefiro não comentar. Só não quero que você coloquei Mr.Catra no último volume naquela sua saveiro velha.
Enfim. O Brasil é música. O Brasil é um país de vários centros. Ali você encontra o show de rock, o show de reggae, o show de sertanejo e o show de funk. Tem de tudo para todo o mundo. Mas precisa haver um respeito de espaço, uma vez que todos nós dividimos um mesmo espaço. Precisamos ter senso-comum e observar que há pessoas insatisfeitas no espaço onde você aumentou o volume do som do seu carro no último.
A música é de todos, mas os ouvidos são meus. Não sou dono do mundo e não vou conseguir mudar a vida das pessoas em um blog que recebe pouco menos de mil visitas mensais, mas não seja ignorante. Um dia a ignorância dos outros pode bater na sua porta.
Por Neto Roberti.


















