Eram
quase 8h da manhã e eu atrasada pra aula. Parei no sinaleiro. Já havia observado
de longe um senhor pedindo esmolas para os motoristas que paravam ali, só que
naquele dia eu não tinha nada. Nada mesmo;
-
Tem um real?
-
Nada moço.
Olhei
direitinho e achei cinco centavos. Aí eu dei.
-
Olha... eu tenho só isso aqui comigo.
O
que faz alguém dar cinco centavos a um pedinte?
Bom,
no meu caso, eu só não queria não dar nada. E como eu realmente não tinha nada
além dos cinco centavos, aquela moeda foi o meu melhor. Em outros casos, a
simples indiferença é o suficiente para se despejar com toda facilidade uma
moedinha de cinco centavos na mão do indivíduo. E se o que vale é mesmo a
intenção, os meus cinco centavos bem intencionados e cheios de bondade valem
muito mais do que os cinco centavos do cara cheio da grana que fez pouco caso.
Correto? Na teoria, sim. Na prática, irmão, o buraco é mais embaixo.
Na
prática a grana do pedinte já tem foco: o pão, a pinga, o leite das crianças, a
pedra, a passagem do ônibus. Quanto menos tempo o cara gastar ali, pedindo
dinheiro de carro em carro, melhor (ao contrário do que muitos devem pensar,
não há lazer algum em ficar sob sol e chuva a mercê da boa vontade de que
motoristas abaixem seus vidros e esbanjem generosidade). Quanto maior o valor,
óbvio, menos trabalho, menos tempo gasto ali, melhor pra ele.
Na
minha cabeça aqueles cinco centavos não fariam muita diferença, mas se somados
ao restante da grana que ele já havia guardado ou que ele ainda conquistaria,
seria útil. Na minha cabeça, minhas boas intenções faziam aquela moeda valer
muito mais do que na sua essência; os valores morais, o respeito, a preocupação
com o próximo têm mais valor do que qualquer quantia em dinheiro. Na minha
cabeça, a minha “boa ação do dia” poderia fazer a diferença na vida daquele
senhor. Talvez ele encostasse sua cabeça sei lá aonde e pensasse “poxa, aquela
moça me deu só cinco centavos, mas era tudo o que ela tinha. Como aquilo foi
valioso pra mim!”.
-
Isso é uma moeda de cinco centavos. – falou enquanto colocava a moeda de volta
na minha mão - Isso não compra nada.
Haverá
o dia em que faremos pelo outro sem nos importarmos em satisfazer nosso ego.
Haverá.
Por Jessica Roberti.


















