Gente que
se limita. Gente que se cala, quando na verdade tudo que quer é gritar todas as
palavras engasgadas em si. Gente que não olha nos olhos, que perde
oportunidades por besteiras. Gente que julga, que aponta, que condena, mas que
também erra. Gente corrompida, que beira a perfeição e a chatice. Gente que
fala tanto, mas não quer dizer nada. Gente vazia e sem significado. Não tenho
paciência para teatro na vida real. É tanto personagem que a essência se
consome em alguns quilos de pó e alguns litros de perfume. O sorriso é forçado,
espancado até que saia como se deseja. Elas se autoflagelam por uma imagem mais
perfeita, enquanto isso o interior fica às moscas, abandonado, só esperando ser
preenchido. E se transbordam de álcool. Amor que é bom, está em falta. Sumiu
das prateleira. Extinguiu-se. Acabaram com o olho no olho, as mãos
entrelaçadas e os beijos roubados. Tudo tem uma segunda, terceira ou quarta
intenção. Simplicidade é palavra fora do vocabulário e os braços que te abraçam
são os mesmos que te apunhalam. Somos obrigados a nos contentar conosco e não
precisar de mais ninguém. Os sentimentos esfriaram e a vida resumiu-se numa
busca incessante de alguém que nos aqueça.
Por Bruna Tamanini. Acessem: descendoacachoeira.tumblr.com


















