Outro dia eu trouxe uma ideia sobre o que nos faz verdadeiramente homens (ou mulheres). Disse que o que nos diferencia do resto dos animais é não vivermos usando máscaras e termos a possibilidade de não viver guiados por nossos instintos. Venho aqui humildemente reconhecer fazer uma errata: falei merda.
Tudo isso é importante sim, mas alguns acontecimentos me
mostraram que eu estava errado. Quando a gente fala de não viver guiado por
instintos, ou de não usar máscaras, abolindo a hipocrisia dos nossos dias, é
preciso reconhecer que isso é uma utopia. Se essas fossem as únicas maneiras de
se alcançar autenticidade, estaríamos ferrados. É impossível.
Somos todos limitados no que diz respeito à retidão. Ninguém
nasce completamente mal e ninguém morre completamente bom. A corrupção está nos
nossos genes. E acredito que a nossa disposição de ir contra ela é o que nos
distingue. Não estou falando que é preciso ter sucesso nessa luta, isso já
seria pedir demais, mas o simples remar contra a maré já nos destaca do resto
da humanidade.
A mais pura verdade é que nós dizemos que acreditamos em
muitas coisas: é preciso ajudar o próximo, é preciso cuidar do meio ambiente, é
preciso reciclar o lixo, é preciso amar as pessoas, é preciso economizar, é
preciso se importar, é preciso escovar os dentes depois de todas as refeições,
é preciso secar o cabelo antes de dormir, é preciso tomar o remédio todo dia, é
preciso, é preciso, é preciso. O outro lado da “mais pura verdade” é que não
vivemos de acordo com aquilo que acreditamos.
Quanto aquilo que você acredita afeta seu estilo de vida?
Meu maior medo é me tornar mais um; mais um daqueles que dizem um monte de
coisa, mas não vivem nada do que pregam.
"Os anos enrugam a pele, mas
renunciar ao entusiasmo dos ideais faz enrugar a alma" (Albert Schweitzer).
Por Vitor Martinez de Mello.


















