Hoje os casais preferem a "união estável". Seu estado civil não muda. Você continua "solteiro" em seus registros, mesmo com um relacionamento sério que lhe renda vínculos obrigacionais. Uma vez casado, ainda que você se divorcie, nunca mais será "solteiro". Será "divorciado", mas "solteiro", meu caro, não será mais uma realidade pra você. Pelo menos no papel, não. Essa semana, em uma aula de Direito de Família, meu professor disse que há mais casais que procuram a união estável que a celebração de casamento em seu escritório. Pensei: "Faz sentido. Os casais não querem compromisso sério mesmo". Então ele comentou que, em quase todos os casos, quando perguntou à mulher o porquê de um relacionamento sem casamento, a resposta foi um "porque ele não quis casar". E me surpreendeu.
Se a sociedade é moderna, se os discursos são narcisistas e independentes, se casamento é ultrapassado, por que me surpreende uma mulher desejar um casamento?
Lembra daquele tempo em que azul era cor de homem e vermelho de mulher? Eu tenho várias lembranças da minha infância (por incrível que pareça, uma vez que a minha memória não é nada eficiente), e uma delas foi uma discussão sobre as cores dos meninos e as cores das meninas. Um garotinho, não me pergunte quem, sentou perto de mim. Eu tinha um comportamento mais agressivo quanto aos garotos na minha infância e adolescência (decorrente dos vários conselhos do meu pai relatando os pensamentos masculinos quanto a nós mulheres), mas nessa época ainda não. Eu era nova demais pra isso. Ele segurava algum objeto (que também não me lembro) vermelho. A minha reação foi instantânea: "Isso é vermelho! É cor de menina!". A cara de espanto do garoto foi impagável. Claro que minha professora explicou que não era nada disso. Mas na minha cabecinha de cinco ou seis anos de idade, era inconcebível um garoto escolher um objeto vermelho. Ele tinha que gostar de azul.
A nossa sociedade carregou por anos características distintas para homens e mulheres. Como se houvesse uma divisão entre ele. "Homem gosta disso, mulher daquilo". Só que agora os tempos mudaram, queridos. As mulheres estão mais poderosas, mais inteligentes e iguais aos homens. Os direitos são iguais. A mulher pode passar o sobrenome dela pro marido no casamento. No divórcio mulher também paga pensão. Mulher se torna chefe de grandes empresas, chefe da própria casa, chefe de seu marido, chefe de seu país. E se os homens não querem compromissos sérios, as mulheres também não. Se os homens não querem ter filhos, as mulheres também não querem. Se os homens "pegam" 10 garotas em uma balada, as mulheres "pegam" 20 garotos. Se for pra ser igual, façamos direito, não é mesmo? Não, não é. Não é mesmo. Você mulher, que lê essa coluna neste momento, é completamente diferente da massa de mulheres padronizadas produzidas por qualquer lixo eletrônico acessível. Quero deixar claro que eu defendo a igualdade legal entre sexos. Defendo nossa valorização nos mercados de trabalho, artístico e intelectual. Mas também defendo nossa valorização pessoal. Defendo mulheres que dizem "não" quando querem dizer; que não buscam chamar a atenção de um homem se utilizando de métodos vulgares e ridículos.
(Mulheres: quando a última coisa que você quiser for chamar a atenção de um cara, a atenção deste cara será toda sua).
Defendo mulheres que não se preocupam em andar dentro dos padrões fundamentados em informações manipuladas, tiradas do forno que permanece ligado na sala de nossas casas chamado televisão. Defendo mulheres que se amam. Que se acham lindas quando são diferentes da proposta da capa de revista de fofocas. Defendo mulheres de verdade, mulher que surpreendem.
Por Jessica Roberti.


















