É sabido de todos de que a Champions League, correspondente à Libertadores na Europa, dá um banho em todos os fatores na qual os times da América competem. Regulamento, condição dos gramados, segurança dos atletas e comissões técnicas, organização, enfim.
Mas o que se pode fazer?
Há um tempo atrás, o ex-presidente do Corinthians, Andrés Sánchez, disse em entrevista, que se dependesse dele, o time do Parque São Jorge não participaria da Liberta. Pois, então, que o faça agora. Certamente, o atual campeão se negando a participar da maior competição da América Latina, seria um impacto bem maior que um time que nunca ergueu a taça.
Mas voltemos a pergunta central. Era isso a Libertadores? É justamente esse sentimento, como torcedor corintiano, que me vem hoje, depois do título conquistado. Creio que caímos na "pilha" dos rivais e começamos a dar uma importância maior do que o título merecia. Dizer que o Corinthians tem a Libertadores como obsessão desde a criação da competição é mentira. O maior exemplo disso foi em 1977, ano em que o time ignorou totalmente a competição internacional para disputar o campeonato paulista. Quem diz isso só não consegue ser pior de quem diz que o Corinthians esperou 102 anos sem taça. Sem comentários...
Pura bobagem, pois o título não deixa ninguém maior ou menor. É uma mentira dizer que o Corinthians é maior agora do que antes. Ou o Fluminense, Botafogo, Atlético Mineiro não são times considerados grandes apenas por não terem o título continental. A obsessão teve seu início, sim, a partir dos anos 90. O tricampeonato São-Paulino, as duas eliminações para o arquirrival Palmeiras, uma delas para o título alviverde, geraram ao mesmo tempo, inveja e desejo pelo título inédito. Na campanha do título, a máxima "pro Corinthians tem que ser sofrido" foi muito usada.
Se analisarmos friamente, o título em si não foi tão sofrido. Durante toda a campanha, a equipe ficou somente uma vez atrás do placar. Foi na Bombonera, na final, durante 11 minutos. Tempo que separou o tento xeneise e o gol antológico de Romarinho. O sofrimento esteve, muito mais, na definição dos adversários do que no resultado dos jogos.
Nas últimas etapas, o time corintiano teve que combater nada menos do que o Vasco, time que disputou até a última rodada o Campeonato Brasileiro do ano passado, o Santos, atual campeão da América, e o temido Boca Juniors, ganhador de "apenas" seis títulos.
Uma coisa é fato. Os rivais tinham no insucesso alvinegro, a última tentativa de mascarar a clara ascensão do Corinthians como um dos times mais organizados do país.
Pois, então. Aí está. Se era isso que queriam.
Por Neto Ferreira.


















