SESSÃO: Chamando Jesus de Genésio - Por Vitor M. Mello

» Postado por: - Categorias: | 29 de ago. de 2012
O Grande Corredor.
As Olimpíadas, nos seus primórdios, tinham um poder e um glamour incrível. Guerras se interrompiam para que os Jogos Olímpicos acontecessem sem transtornos. As provas que melhor representavas os Jogos eram as provas de corrida. A lenda Olímpica conta uma história de um maratonista grego conhecido como “O Grande Corredor”. Este homem era tão bom que em sua carreira teve o privilégio de ganhar prêmios das mãos de reis e imperadores. A tradição grega sempre foi muito forte nas olimpíadas. Seus bons atletas eram vistos como heróis e quase deificados quando tinham resultados excelentes. O Grande Corredor era um homem de limites insuperáveis naquela época. Mas o tempo passou e aquele atleta se aposentou. Inevitavelmente, com o tempo, alguns corredores mais jovens começaram a ter um desempenho semelhante ao dele.
Certa vez, às vésperas de uma Olimpíada que seria realizada em Atenas, na Grécia, o Grande Corredor foi convidado a levar a tocha olímpica de uma cidade até a outra. Quando a comissão fez o convite, disse a ele que ele tinha sido escolhido pelo que representava para o país e por ter sido um atleta exemplar. Seria um privilégio ter um dos maiores maratonistas de todos os tempos levando a tocha até o estádio. Carregar a tocha olímpica era uma das maiores honrarias que alguém vivo podia receber naquele tempo.
Ele aceitou o convite, mas não com muita alegria. Naquele dia ele se sentiu humilhado por terem referido a ele como alguém que tinha sido bom. No mesmo dia ele começou a treinar e colocou como meta bater o recorde daquele trajeto até a Cidade Olímpica. Todos os dias ele acordava bem cedo, cuidava de sua alimentação e do seu corpo. Também tinha treinos pesadíssimos, beirando à loucura, e a cada dia seu desempenho melhorava. E assim foi até o grande dia.
No dia de abertura das olimpíadas, todos estavam ansiosos para ver o grande corredor de volta; não como competidor, mas como alguém que se achou digno de carregar a tocha olímpica até o estádio e dar início aos jogos. Naquele dia as ruas estavam lotadas! Haviam pessoas por todos os quilômetros do trajeto, todas esperando ver o Grande Corredor. Mal sabiam elas que ele almejava bater qualquer recorde humanamente possível.
Ao acenderem a tocha em suas mãos, o Grande Corredor saiu com toda força. As pessoas gritavam o seu nome, ele se empolgava, corria mais e mais, e as ruas lotadas, todos na expectativa do começo das Olimpíadas! A cada quilômetro, em vez de diminuir a velocidade, ele só aumentava e seus limites iam sendo superados. Quando entrou na Cidade Olímpica, já havia quebrado um recorde e mesmo assim ele não diminuía o ritmo. Chegando perto do estádio, ele podia ouvir as vozes das pessoas gritando o seu nome. Ele podia, inclusive, sentir o chão tremer, tamanho era o público presente no estádio e em volta dele. Ele começou a subir a rampa do estádio e não pensava um só instante em desacelerar. O barulho, a ansiedade e a expectativa eram cada vez maiores.
Quando o Grande Corredor acabou de subir a rampa, os portões se abriram. Houve então um silêncio sepulcral. O atleta tinha feito o melhor tempo da história das Olimpíadas e mostrado a todos que ainda era imbatível. Ele podia ver o semblante espantado das pessoas: “Eu bati mais um recorde! Sou e sempre serei o Grande Corredor!” Mas ninguém aplaudiu aquele homem. Ele ficou sem entender o porque daquela reação do povo. “Será que eles não entendem? Eu sou insuperável!”
Logo chegou um dos principais organizadores e disse a ele que ele tinha batido o recorde, e provavelmente nunca alguém conseguiria superá-lo, mas não tinha conquistado a prova que confiaram a ele: conduzir a tocha para acender a pira e oficializar o início dos Jogos Olímpicos. Aquele homem correu boa parte do percurso com a tocha apagada e nem percebeu. O que importava para ele era superar o seu tempo e mostrar a todos o quanto ele era bom, mas esqueceu de que sem o fogo na tocha para acender a pira olímpica, não haveria Olimpíadas.
E foi o que aconteceu. Por um homem que correu pelos motivos errados, não houve Jogos Olímpicos naquele ano.

*Essa história eu ouvi de um amigo, que ouviu de um amigo, que ouviu de um amigo...

Por Vitor Martinez de Mello.