SESSÃO: Chamando Jesus de Genésio - Por Vitor M. Mello

» Postado por: - Categorias: | 22 de ago. de 2012
Eternidade.


Nesse fim de semana eu participei da inauguração de um salão que recebeu o nome de um certo homem que eu nunca conheci. Ninguém sabia que aquela sala receberia o nome desse homem e quando as pessoas ali presentes ficaram sabendo da homenagem, lágrimas surgiram aqui e ali por todos os bancos.
Aquilo mexeu comigo. Em um primeiro momento fique pensando em quem teria sido aquele homem? O que ele teria feito? Por que a homenagem emocionava tanto aquelas pessoas? Depois esqueci dessas perguntas e uma verdade me esbofeteou: aquele homem estava morto, há anos talvez. Talvez ele tivesse planos de ir para a praia com a família no mês seguinte; quem sabe estivesse trabalhando duro para conseguir uma almejada promoção no trabalho e até andasse ansioso pela final do campeonato de futebol do clube. Mas uma doença inesperada o tirou de sua esposa, de seus três filhos, de seu trabalho e da galera do futebolzinho todo sábado de manhã. Caraca. Nós não somos eternos.
Um jovem (para não dizer "um idiota") cruza uma avenida, no sinal vermelho, a 180km por hora. Que merda esse cara tem na cabeça? Eu sei. Ele acha que vai viver pra sempre. Acha que é eterno. Esse deu sorte, não tinha nenhum carro passando. Outro não: um casal de namoradas em seu carro, que passavam no sinal verde, a 40km por hora foram vítimas de um cara a 160km por hora no seu carro esportivo. Ninguém sobreviveu.
Ei, você aí, seu bosta. Nós somos todos uns bostas. Somos pó, meu caro. Não vamos viver para sempre.
Não vou discutir de onde esse tipo de idiotice sobre sermos incríveis e eternos tem surgido, mesmo porque eu não sei. De qualquer maneira, seja o sonho vampiresco ou uma despreocupação intencional com o amanhã, temos uma geração que acha que é eterna. Os poucos que pensam no fim, na morte, nutrem lá no fundo esperanças do tipo: "se Deus quiser, a criogenia vai vingar."
O pior desse tipo de pensamento é a inércia diante de tudo e de todos. Ironia: nós temos jogado fora a única forma de sermos - nosso legado. O "homem homenageado" viveu uma vida digna. Ele marcou a vida das pessoas ao seu redor. Não sei o que ele fez, mas foi bom. Ele segue vivo na atitude das pessoas que ele influenciou. E eu? Talvez a única atitude que eu tenha influenciado seja o sentar, deitar, dar a patinha e rolar do meu cachorro; e eu ainda desconfio que o pedaço de carne na minha mãe tem grande parte nesse comportamento.
Pessoas morrem todo dia. Aparentemente sem lógica nenhuma. Mais dia, menos dia, a sua e a minha hora vão chegar. A vida é um sopro, meu. Não esqueci isso. Que bosta... A vida é um sopro...