Mercado da bola agitado no Velho Continente. Cadê a crise?
Novamente o mundo do futebol se mostra fora da realidade. Alheios a toda agitação em relação as crises financeiras em vários países da Europa, os clubes europeus demonstraram força ao contratar jogadores à preços exorbitantes.
Em meados de Janeiro, o diretor de futebol do Barcelona Txiki Begiristain, disse que nem o clube catalão, nem nenhum outro clube europeu "daria manchetes" para os jornais. Provavelmente, prevendo uma calmaria nas negociações devido a forte crise a qual passa praticamente toda a Europa.
Passado algum tempo e tendo aberto a janela de contratações, os times (e o próprio Barcelona) parecem ter esquecido ou ignorado tais palavras. Times que antes se declaravam, no momento, fracos para brigar com os altos valores, entraram de cabeça com propostas irrecusáveis e acabaram levando seus desejados jogadores. Pura estratégia, diria o professor Vanderlei.
Mas seria esse movimento todo um real indicativo de que os clubes europeus ainda permanecem fortes economicamente ou seria uma decadente tentativa de mostrar superioridade que terá seus frutos colhidos no futuro? Essa resposta teremos somente daqui a duas ou três temporadas.
Vamos às contratações:
Na Inglaterra, os times saíram a procura de jovens promissores. O Manchester buscou no Borussia Dortmund, da Alemanha, o jovem japonês de 23 anos, Shinji Kagawa, por 15 milhões de euros. Um dos grandes responsáveis pelo bicampeonato alemão conquistado pelo time amarelo. O Chelsea manteve a linha jovial e trouxe os cobiçados Oscar, do Inter de Porto Alegre e o belga Eden Hazard, do Lille, da França. Os dois juntos devem substituir os veteranos Malouda e Essien, que estão de saída. Os dois novos Blues custaram, juntos, aproximadamente 60 milhões de euros.
Na Espanha, o Real Madrid ainda não fechou com nenhuma estrela do futebol mundial. Talvez por simplesmente não precisar, pois já tem um dos melhores elencos do mundo. Ou por estar ainda sentindo o baque da temporada 09-10, quando trouxe de uma vez só Cristiano Ronaldo e Kaká, do Manchester United e Milan, respectivamente, fazendo as duas contratações mais caras da história. Sendo que essa última, talvez esteja com os dias contados. Rumores dão como certa a saída de Kaká devido ao fim da paciência de José Mourinho com suas decepcionantes atuações. O "galáctico" já manifestou seu desejo de ficar para enfim justificar sua contratação. Talvez não tenha tempo.
O Barcelona, por sua vez, realizou uma contratação bem pontual. Em uma posição com que estava tendo dificuldades seríssimas desde a temporada retrasada, quando Abidal descobriu seu tumor no fígado. Jordi Alba é o novo jogador do time azul-grená. Vindo do Valência, o lateral esquerdo vem para dar qualidade ofensiva também ao lado direito que, por sua vez, durante a partida, fica deserto, devido ao grande apoio feito por Dani Alves. Tem tudo para se adaptar rapidamente e tornar o melhor time do mundo, ainda melhor. Se é que isso seja possível.
Na Itália, talvez tenhamos por lá, a maior vítima da crise europeia e isso se retrata no futebol. Nem Inter, nem Milan conseguiram reforçar seus elencos. Pelo contrário, perderam peças importantíssimas como Forlán, Thiago Silva e Ibraimovich, respectivamente. O time interista esteve presente em várias manchetes de negociações, mas não ganhou nenhuma das disputas. Já o time rossonero, espera, agora, com o dinheiro do seu "pacotão PSG", avançar rapidamente neste curto período até o término da janela. A roma, trouxe o zagueiro Leandro Castán, vindo do Corinthians. Castán chega com status de campeão e um dos melhores da campanha do inédito título da Copa Libertadores. Vai, Castán!
Na França, o destaque não poderia ser outro. O PSG agora pode dizer, é um grande europeu. Com fontes de dinheiro vindos de não se sabe de onde, muitos menos de quem, o clube parisiense trouxe Ibra e T. Silva do Milan e Lavezzi do Napoli. Eles começam a seguir o caminho já traçado pelos ingleses Chelsea e Manchester City. A única diferença é que os êxitos em âmbito nacional podem chegar mais rápidos, devido ao nível dos rivais locais.
Posteriormente, se espera conquistar continentais do time do Sr. Carlos Ancelotti, como a Europa League e talvez a Champions. Por que não?
E o nosso Brasil, como vai? Nossa boa fase na economia nos tem possibilitado trazer nomes como Seedorf e Forlán, que certamente abrilhantam não só o nosso, mas como qualquer outra liga do mundo. Meu temor é que se gaste todo esse dinheiro com "grifes" perto do fim da carreira e nos tornemos uma MSL, ou um campeonato japonês e mais atualmente, o chinês. Com certeza o caso mais evidente de todos, que retrate bem isso, seja a troca que o Internacional fez. Vendeu o seu jovem e promissor zagueiro JUAN para o Inter da Itália, e contratou o já experiente e naturalmente em fase final de carreira, JUAN da Roma.
Trocou seis por meia dúzia? Acho que nem isso. Seis por três.!
Por Neto Ferreira.


















